O movimento islâmico Hamas
não aceita prorrogar trégua com Israel em Gaza e bombardeios são retomados. Com
esse cenário, negociações para um cessar-fogo permanente tornam-se cada vez
mais difíceis.
O conflito entre israelenses e
palestinos, que já dura 60 anos, ganhou novos capítulos na última semana. Às 2
horas da sexta-feira 8 foi encerrada a trégua de 72 horas estabelecida entre
Israel e facções palestinas na Faixa de Gaza, após negociadores não conseguirem
chegar a um acordo final para que o cessar-fogo temporário entre as partes
fosse estendido. Apesar de os dois lados da trincheira terem sinalizado mais
uma vez com a possibilidade de fazer concessões e, com isso, encerrar a
contenda que alcançou seu ápice no último mês com uma sangrenta escalada de
violência, a paz na região ainda parece ser uma quimera. Quatro horas antes do
fim do cessar-fogo, foguetes lançados da Faixa de Gaza atingiram o território
israelense. “Agora mesmo, dois foguetes disparados de Gaza atingiram o sul de
Israel. Os terroristas violaram o cessar-fogo”, afirmou o Exército de Israel. O
líder do Hamas, Moussa Abu Marzouk, rebateu: “Se havia uma oportunidade de paz,
foi perdida junto com os corpos de nossas crianças e os escombros de nossas
casas”, afirmou. No fim da manhã da sexta-feira 8, Israel já retomava os
bombardeios contra Gaza.
ECOS
DO CONFLITO
Na sexta-feira 8, enquanto cidadãos
palestinos deixavam suas residências
nas
regiões norte e leste da cidade de Gaza, o Exército de Israel se
reunia para
organizar novos ataques, diante da
recusa do Hamas em prolongar o cessar-fogo
Para o especialista em Oriente
Médio e professor da FGV e Rio Branco, Guilherme Casarões, como o Hamas e o
governo sob a batuta do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu,
assumiram uma postura de extremo radicalismo e não representam os anseios de
toda a população, a paz definitiva naquela região parece não ser uma opção em
um futuro próximo. O professor de história e sociologia do Mackenzie, Alexandre
Hecker, faz uma projeção ainda mais pessimista. “Apesar de todas as tentativas,
eu não acredito que possa haver paz nos próximos 500 anos lá”, opina Hecker.
Na avaliação de Casarões, os EUA
deveriam adotar uma postura mais contundente, em vez de apenas mediar o
conflito, e Israel precisaria compreender que, sem aceitar algumas condições,
não há como chegar a um consenso negociado. “Os EUA deveriam pressionar mais
politicamente. E cabe ao Netanyahu dar o primeiro passo, fazendo algumas
concessões. A paz só vai acontecer quando o governo de Israel sentar com os
palestinos e resolver isso. Mas eles têm medo, porque o único ministro de
Israel que negociou com os palestinos foi morto por um judeu ortodoxo”, lembrou
numa referência a Yitzhak Rabin, assassinado em 1995 pela direita radical
israelense. Para Hecker, a ONU, que nos últimos dias recomendou a extensão do
cessar-fogo, poderia constituir uma força de paz e implantá-la no território da
Palestina, na Cisjordânia. Mas a medida, argumenta o especialista,
“significaria diminuir o poder de Israel, e isso os Estados Unidos nunca iriam
permitir”.
Fotos: EFE/Oliver Weiken;
REUTERS/Baz Ratner
Ludmilla Amaral (ludmilla@istoe.com.br)



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