A história diplomática do
Vaticano começa no século IV, porém os
limites do poder do papado evoluíram ao longo do tempo e séculos. Os papas, e as suas
prerrogativas de poder temporal, lideraram uma grande parte da península italiana, incluindo Roma, por um milênio.
A justificativa histórica para
este poder temporal reside na Doação de Constantino, uma falsificação pelo qual o imperador Constantino I havia dado
primazia ao Papa Silvestre sobre as Igrejas Orientais e o Imperium (poder
imperial) ao Ocidente. (o caráter apócrifo deste documento foi elaborado em 1442 pelo
humanista Lorenzo Valla). Os territórios dos Estados Pontifícios, antecessor ao atual Vaticano, haviam sido doados em 756 por Pepino, o Breve, rei dos francos pela Doação de Pepino.
Estados Pontifícios
Durante um período de quase mil
anos, que teve início no tempo do império de Carlos Magno (século
IX), os Papas reinam sobre a maioria dos Estados temporais do centro da Península Itálica, incluindo a cidade de Roma, e partes
do sul da França. Os Estados Pontifícios ou "Estados da Igreja" foram
formados por um conglomerado de territórios, que basicamente permaneceram como
um estado independente entre os anos 752 a 1870, sob a
direta autoridade civil dos papas, e cuja capital era Roma.
Fim dos Estados Pontifícios (1870)
Durante o processo de unificação
da península, a Itália gradativamente absorve os Estados Pontifícios. Em 1870, as tropas do rei Vítor Emanuel II entram em Roma e incorporam a cidade ao novo Estado. Em 13 de
Março de 1871, Vítor Emanuel II ofereceu como compensação ao Papa Pio IX uma
indenização e o compromisso de mantê-lo como chefe do Estado do Vaticano, um
bairro de Roma onde ficava a sede da Igreja (as leis de garantia). O
papado, consciente de sua influência sobre os católicos italianos e desejando
conservar o poder da Igreja, recusa-se a reconhecer a nova situação e
considera-se “prisioneiro” do poder laico. Além disso, proibiu os católicos
italianos de votar nas eleições do novo reino.
Tratado de Latrão
Essa incómoda questão de disputas
entre o Estado e a Igreja, chamada Questão Romana só terminou em Fevereiro de 1929, quando o ditador
fascista Benito Mussolini e o Papa Pio XI assinam o Tratado de Latrão, pelo qual a Itália reconhece a soberania da Santa Sé sobre o
Vaticano, declarado Estado soberano, neutro e inviolável. A concordata também
concede indenização financeira ao papado pelas perdas territoriais da
unificação e torna o catolicismo a religião oficial da Itália. Os termos da
concordata são ratificados em 1947 pela república italiana.
Segunda Guerra Mundial
Ver artigo principal: Vaticano durante a
Segunda Guerra Mundial
O Vaticano oficialmente seguiu
uma política de neutralidade durante a Segunda Guerra Mundial, sob a liderança do Papa Pio XII. Embora a
cidade de Roma fosse ocupada pela Alemanha nazista a partir de 1943 e pelos Aliados em 1944, a Cidade do Vaticano em si não foi ocupada.
Pós-guerra
Para enfrentar a perda de
influência, o pontificado do Papa João XXIII (1958-1963) dá início ao diálogo com outras igrejas e com o mundo laico. O
processo desemboca no Concílio Vaticano II (1962/63), o primeiro concílio ecumênico em 300 anos. As encíclicas
sociais de João XXIII – Mater et Magistra, Pacem in Terris – e de seu sucessor Paulo VI (1963-1978) – Populorium Progressio – abrem caminho para a Teologia da Libertação, surgida em 1968, e para o alinhamento de uma parte do clero católico com
posições de esquerda.
Em 1968, Paulo VI frustra os
católicos liberais ao condenar métodos anticoncepcionais com a encíclica Humanae
Vitae. Em 1978, a concordata é reformulada e o catolicismo deixa de ser
religião oficial da Itália; no mesmo ano, as relações do Vaticano com o Estado
italiano deterioram-se depois que o Congresso aprova o divórcio.
Conservadorismo e Escândalos
Em outubro de 1978, com a morte
prematura do sucessor de Paulo VI, João Paulo I, cujo pontificado dura apenas 33 dias, o Cardeal polonês Karol Wojtyla, com o
nome de João Paulo II, torna -se o primeiro Papa não-italiano desde o século XVI. O novo pontificado é marcado pelo conservadorismo em questões
morais e pelo reforço na disciplina na Igreja, que se reflete na tentativa de
João Paulo II de esvaziar o poder do clero chamado “progressista”.
Em 1981, João
Paulo II sofre um atentado em
Roma; seu autor, o turco Mehmet Ali Agca, é condenado à prisão perpétua. Em 1982, personalidades do Vaticano são envolvidas no escândalo da
falência fraudulenta do Banco Ambrosiano. As relações do Vaticano com o Estado italiano pioram em 1987, quando a
Justiça da Itália ordena a prisão do cardeal Paul Marcinkus,
secretário de Estado do Vaticano e diretor do Instituto para as Obras
de Religião (IOR), instituição financeira
envolvida no escândalo Ambrosiano. Baseando-se nos termos da concordata – pela
qual a Itália não tem jurisdição sobre o Vaticano –, a Suprema Corte italiana
absolve Marcinkus.
João Paulo II visita várias vezes
a Polônia e tem um papel importante no restabelecimento do diálogo entre
o governo comunista e a poderosa Igreja polonesa. Entre 1990 e 1991, com a
queda do comunismo, o Vaticano reata relações diplomáticas com países do ex-bloco socialista.
Em 1992, os
setores “progressistas” da Igreja criticam a beatificação do padre José María Escrivá
Balaguer, fundador da direitista Opus Dei, e a
reafirmação feita pelo Papa da condenação à homossexualidade. O novo catecismo da Igreja Católica passa a considerar a masturbação e a prostituição pecados mortais contra a natureza, além do homossexualismo como um grave pecado
contra a natureza humana e sexual e condena a corrupção e a dominação econômica
Em 1993, o
Vaticano enfrenta um déficit orçamentário estimado em US$ 91,7 milhões. Para
enfrentar essa crise financeira, a Prefeitura de Assuntos Econômicos autoriza a
exploração comercial da imagem de João Paulo II. No mesmo ano, o Papa reafirma
suas posições conservadoras sobre interrupção voluntária
da gravidez, celibato clerical
ou sexo antes do casamento na encíclica Veritatis Splendor.
A encíclica Evangelium Vitae, divulgada em 1995, condena radicalmente a interrupção voluntária
da gravidez e a eutanásia. Em maio,
o Vaticano divulga a 12ª encíclica do Papa João Paulo II, Ut Unum Sint, conclamando a unidade de todos os cristãos – católicos,
ortodoxos e protestantes –, seguindo a via aberta pelo Concílio Vaticano II.
As relações exteriores do
Vaticano são marcadas pela intervenção ativa nas conferências convocadas pela Organização das Nações
Unidas (ONU), sempre sob a óptica
conservadora do atual pontificado. Na Conferência do Cairo sobre a
População, em abril, contesta o controle da natalidade através de métodos
“não-naturais”. A mesma posição é reafirmada na Conferência sobre a Mulher, em
setembro de 1995, em Pequim.
A população vaticana é composta
por membros da Igreja, que devido às suas funções, residem lá. Além do Papa, residem e
trabalham lá: Bispos, Cardeais, Arcebispos e outros funcionários importantes da
Igreja Católica. A maioria dos funcionários estáveis são italianos, um número
considerável é suíço e o restante originário de diversos países.
A religião é o Catolicismo, que detém
estatuto oficial. A língua oficial é o latim, embora só
seja utilizado em documentos oficiais e em rituais cerimoniais. A língua falada
é o italiano.
Tem uma população de cerca de 921
habitantes e uma taxa de crescimento populacional de cerca de 0.01%.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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